Talentódromo Desportivo, um laboratório vivo na cidade de Vila Real

Talentódromo Desportivo, um laboratório vivo na cidade de Vila Real

Diagnosticar a aptidão física de mais de 800 alunos do 2º ciclo de escolaridade é uma das metas traçadas pela equipa do Talentódromo Desportivo de Vila Real, que desde Outubro está a implementar uma bateria de testes nos alunos dos agrupamentos escolares da capital de distrito. «Estamos a levar o Talentódromo às escolas para cumprir um dos objectivos iniciais do projecto: criar e manter actualizada uma base de dados, onde se registe a evolução da aptidão física da população, nomeadamente a escolar. Com este trabalho, pretendemos alicerçar as decisões do processo de formação desportiva de uma forma mais fundamentada», explica a investigadora Isabel Gomes.

No decorrer de uma aula de Educação Física, os alunos do 5º e do 6º ano são convidados a passar por um conjunto de estações de medição, onde a equipa do Talentódromo determina o peso corporal, a altura de pé e sentado (para a determinação do estadio maturacional), a impulsão vertical e a velocidade na mudança de direcção em corrida, através de instrumentos de alta precisão como plataformas de infravermelhos, células fotoeléctricas e balanças de bioimpedância eléctrica. No final, é ainda aplicado um questionário sobre hábitos de actividade física e de sedentarismo. «Os testes realizados procuram avaliar a aptidão física dos alunos, que têm idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos. No início, os alunos ficaram um pouco apreensivos, no entanto, manifestaram logo alguma curiosidade e interesse sobre os instrumentos de medida que nunca tinham visto, questionando sempre a equipa do Talentódromo», revela a investigadora.  

A energia de Francisco, 10 anos, explica que tenha cumprido a distância requerida em menos de sete segundos. «Estive a ver quanto salto e a velocidade. Não me custou fazer nada e fiquei satisfeito», conta. A frequentar o 5º ano, o jovem vila-realense ainda não pratica nenhuma modalidade desportiva fora da escola, «mas gostava». «Acho que estão aqui [a equipa do Talentódromo] para ver se temos capacidades para entrar para alguma equipa», acrescenta.

Num outro grupo, a colega Rita revela que o mais difícil foi correr. «Estiveram a ver quanto é que corremos, a pesar-nos, a medir-nos, a fazer saltos e respondemos a um questionário. O que mais me custou foi correr, porque prefiro andar», sublinha.

A reacção dos docentes de Educação física, assim como das respectivas direcções dos agrupamentos, foi bastante positiva. «Foram muito receptivos à nossa visita, inteirando-se dos nossos propósitos», destaca Isabel Gomes. Uma opinião corroborada pelo vereador José Maria Magalhães, que tutela os pelouros do Educação e Ensino, Desporto, Juventude e Tempos Livres no município de Vila Real: «fazemos reuniões com os agrupamentos e pudemos sentir o pulsar da comunidade educativa. Estão extremamente satisfeitos, porque recolhem e agradecem toda a colaboração que possa vir do exterior e que a escola não tenha know-how para o fazer. Esta presença do Talentódromo é uma mais-valia para as escolas e para os próprios professores.»

O vereador considera ainda que, além de todo o trabalho que o Talentódromo desenvolve «com uma dinâmica fabulosa» nas instalações do Pavilhão dos Desportos, é importante este trabalho “in loco” nos agrupamentos escolares. «As famílias e a comunidade, ao sentirem que a nossa Universidade está disponível para desempenhar este papel, podem e devem colaborar no sentido de facilitar todos os procedimentos para que consigamos o máximo número de dados, no sentido de capacitar cada vez mais o ser humano

Os dados recolhidos serão utilizados para ajudar os professores de Educação Física e os treinadores dos clubes desportivos a «entender melhor o processo de maturação biológica e a sua relação com a aptidão física e prontidão desportiva». «O grande objectivo da equipa de trabalho não é, de todo, identificar potenciais talentos desportivos, mas sim utilizar os dados para entender que cada sujeito é um caso de características muito particulares e que, com o esforço e desafio adequados, todos podem atingir metas de grande orgulho», refere o director do CIDESD, Jaime Sampaio.

Nos agrupamentos de Escolas da Diogo Cão, a intenção é avaliar 582 alunos e no agrupamento Morgado Mateus, 329. As avaliações ficarão concluídas até dia 8 de Novembro.

O desporto como forma de promover a ciência e a tecnologia

Esta presença do Talentódromo nas escolas é um dos projectos estratégicos do CIDESD, «também porque ultrapassa claramente o espectro do desporto». «A nossa sociedade precisa urgentemente de ser preparada para um futuro de incerteza, mas que terá doses maciças de ciência e tecnologia. O desporto é um meio de desenvolvimento humano natural, onde se podem muito facilmente transmitir estes princípios. Neste sentido, não poderíamos ficar mais satisfeitos em ver que a população escolar ficou a entender melhor, por exemplo, a composição corporal e que experimentou a medição por bioimpedância eléctrica, que pressupõe a passagem de uma ligeira corrente eléctrica pelo corpo. Este tipo de procedimentos, adequadamente comunicados, desperta a curiosidade e a motivação para o conhecimento científico. E, na realidade, é precisamente este o nosso grande objectivo», considera Jaime Sampaio.

A natural evolução do Talentódromo para um formato de Laboratório Vivo, ou seja, uma estrutura de ciência e tecnologia integrada na comunidade local, é vista com «muito bons olhos» pelo representante da autarquia. «Fiquei extremamente sensibilizado para a perspectiva desta evolução do Talentódromo, que considero já um dos pontos fortes do âmbito da nossa política desportiva. É um passo de gigante relativamente ao papel do Talentódromo. Estiveram bem ao tomar essa iniciativa e a autarquia tudo fará para ajudar a que estas ideias se concretizem», afirma o vereador José Maria Magalhães.

Através «deste projecto de excelência», o vereador reconhece que «é por aqui que devemos caminhar, no sentido ir ao encontro das potencialidades de cada um dos atletas, procurando atingir a melhor versão de cada um nesta ou naquela modalidade». «A colaboração altamente tecnológica, mas acima de tudo com muita ciência e conhecimento, é fundamental para ajudar a potenciar o trabalho dos clubes», reitera.

A parceria entre o CIDESD, a UTAD e o Município de Vila Real, que esteve na génese do projecto do Talentódromo Desportivo de Vila Real, está também mais robusta. «É importante conceber, envolver e desenvolver. É esta a máxima deste projecto. A concepção está lá, a envolvência junto dos parceiros funcionou muito bem e, agora, é só desenvolver e esperar pelos resultados. Além disso, só o desporto justifica todo o nosso envolvimento na criação de uma sociedade mais saudável, competitiva e solidária», conclui o vereador do Desporto.

Ciência e tecnologia… nos clubes do concelho

O Talentódromo Desportivo de Vila Real lançou, recentemente, uma iniciativa que se destina a ajudar os clubes desportivos do concelho de Vila Real. «Este é mais um passo do Talentódromo na procura de maior proximidade com os seus parceiros, na criação de ferramentas de trabalho que ajudem os treinadores dos clubes e os atletas do concelho, independentemente do escalão ou modalidade, a qualificar o processo de treino desportivo», adianta Nuno Leite.

Assim, os treinadores dos diferentes clubes são convidados a preencher um questionário para se poder identificar necessidades de intervenção da equipa operacional do Talentódromo nas actividades de treino.

«A estratégia passa por criar as ferramentas de trabalho, sejam elas destinadas à aplicação na fase de aquecimento, na parte principal ou na fase final do treino, e que podem estar centradas no treino, monitorização ou avaliação da performance. São igualmente fornecidas as informações relativas à frequência e volume de treino pretendidos para, posteriormente, se apresentarem as propostas no treino e, ao mesmo tempo, se fazer a partilha dessas ferramentas com os treinadores», explica o investigador Nuno Leite.