EuroAGE põe tecnologias e exercício físico ao serviço do envelhecimento activo

EuroAGE põe tecnologias e exercício físico ao serviço do envelhecimento activo

Envelhecer de forma activa recorrendo ao exercício físico, à robótica e ao treino cognitivo é o principal desígnio do projecto “EuroAGE – Iniciativas inovadoras para a promoção do envelhecimento activo na Região EUROACE”. Trata-se de um projecto transfronteiriço que decorre até ao final de 2019 e que já envolveu mais de 60 idosos portugueses e espanhóis.

«Trata-se de um projecto que tem por missão promover o envelhecimento activo nas vertentes de actividade física, cognitiva e sócio emocional, com o objectivo principal de melhorar a qualidade de vida e aumentar a esperança de vida saudável através da integração de conhecimento técnico-científico. Por outro lado, pretende fomentar a vida autónoma e saudável de idosos, através da criação de iniciativas inovadoras baseadas nas tecnologias», refere a investigadora Carolina Vila-Chã, que tem coordenado os trabalhos no Instituto Politécnico da Guarda (IPG).

Um em cada cinco portugueses tinha mais de 65 anos em 2016, o que faz de Portugal num dos países mais envelhecidos da União Europeia (UE), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) compilados num documento que analisa a “Península Ibérica em Números 2017. Portugal registava em 2016, 20,7% de população idosa, enquanto em Espanha o valor era de 18,7%, mais baixo do que a média da UE no seu conjunto (19,2%). «A alteração demográfica que se observa em Portugal e, em particular, no Interior do País é alarmante. Actualmente, apesar dos portugueses apresentarem uma esperança média de vida acima da média europeia, tem-se verificado uma tendência para a diminuição dos anos de vida saudável após os 65 anos, ocupando os Portugueses um dos últimos lugares da lista dos países europeus», alerta a investigadora do CIDESD.

Os estudos desenvolvidos no âmbito do EuroAGE estão em curso em vários locais de Espanha e Portugal, envolvendo já «um número significativo de recolhas de dados», através de grupos focais constituídos por profissionais que lidam com idosos (assistentes sociais, animadores, técnicos de exercício físico, fisioterapeutas) e por idosos para melhor compreender «a realidade vivida no terreno». «A actividade da robótica social e living assiting robot tem envolvido um número importante de idosos e cuidadores para avaliar o grau de interacção e satisfação com as tecnologias e de que forma estas podem ser adaptadas para colmatar as necessidades associadas à estimulação física e cognitiva», acrescenta.

Por isso, a equipa de investigação está a desenvolver jogos com uma vertente de estimulação multicomponente da aptidão física (exergame), recorrendo a contextos socioculturais que tenham alguma relevância para a população-alvo e considerando o nível de capacidade intrínseca do idoso. «Os contextos de jogo estão a ser ajustados em função da informação recolhida durante os grupos focais e os testes de conceito do jogo. No âmbito do desenvolvimento dos exergames, entre Guarda e Cáceres, já foram mais de 60 idosos a testar as diferentes versões de desenvolvimento no jogo, o que nos tem ajudado a aperfeiçoá-lo», esclarece.

Recentemente, um grupo de 17 idosos, de ambos os sexos, participou numa sessão de validação preliminar de exercícios de estimulação física no IPG. Foram desafiados a jogar o “jogo da vinha”, no qual foi recriada a área agrícola da localização do projecto num ambiente virtual. O objectivo era trabalhar a marcha estática, o equilíbrio e a frequência cardíaca do idoso, registando as métricas associadas ao seu desempenho. No final, os participantes preencheram ainda um questionário para apurar a sua opinião sobre o jogo.

«Foram testadas algumas partes do exergame, em que se efectuou a avaliação do esforço fisiológico dos idosos durante a prática dos mesmos, bem como o seu grau de satisfação. Esta etapa serviu para ajustar as métricas do jogo, tanto do ponto de vista do impacto fisiológico bem como do ponto de vista motivacional», refere.

O objectivo principal desta linha de investigação é a capitalização do conhecimento na tecnologia robótica existente na região euroACE para potenciar a sua aplicação em tecnologias assistivas e sociais, especialmente na vida activa saudável dos idosos. Contudo, Carolina Vila-Chã destaca que embora «as aplicações sejam focadas para este público-alvo, os seus resultados são facilmente extrapoláveis para outros públicos, tais como pessoas com algum tipo de incapacidade ou com necessidades especiais».

Paralelamente, a  equipa do IPG (Carolina Vila-Chã, Nuno Serra, Ermelinda Marques e Cláudia Vaz) tem trabalhado no desenvolvimento de materiais para a promoção e sensibilização da prática de actividade física e combate ao sedentarismo, especialmente dirigidos aos idosos e cuidadores e implementados através de cursos/actividades online. «Serão, ainda, implementados sistemas de avaliação da funcionalidade de condição física do idoso que auxiliem os técnicos na avaliação do idoso», acrescenta a investigadora do CIDESD.

No final do projecto, serão distribuídos 30 dispositivos (com os exergames de estimulação física e cognitiva) pelas instituições portuguesas e espanholas que colaboraram com a equipa de investigação no seu desenvolvimento. O projecto EuroAGE é diferenciador na medida em que integra várias áreas do conhecimento no desenvolvimento de soluções tecnológicas adequadas à população em causa, testando «parâmetros de acessibilidade que simplifiquem a utilização das tecnologias tanto pelos cuidadores como pelos idosos».

Liderado pelo Centro de Cirurgía de Mínima Invasión Jesús Usón de Cáceres (CCMIJU), o “EuroAGE” tem como parceiros espanhóis a universidade e o cluster sociosanitário de Extremadura e parceiros portugueses o Instituto Politécnico da Guarda (IPG), Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) e o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-UC). Este projecto é financiado pelo Fondo Europeo de Desarrollo Regional (FEDER) através do Programa INTERREG V-A España-Portugal (POCTEP) 2014-2020.