À conversa com a investigadora Daniela Cardoso

À conversa com a investigadora Daniela Cardoso

A braços com um doutoramento na área da saúde óssea em doentes com doença renal crónica, Daniela Cardoso é uma das jovens investigadoras do CIDESD, desenvolvendo os seus trabalhos no Instituto Universitário da Maia (ISMAI). 

Qual o trabalho de investigação que tem estado a desenvolver?

Desde o início do meu doutoramento em 2018 e com o apoio da Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), tenho vindo a testar os efeitos do exercício na saúde óssea em doentes com doença renal crónica. O principal objectivo deste projecto passa por comparar os efeitos de um programa de treino aeróbio com um programa de treino resistido nos biomarcadores ósseos em doentes a realizarem hemodiálise. Actualmente, sabe-se que o exercício resistido apresenta benefícios significativos ao nível da melhoria da saúde óssea quando comparado com o exercício aeróbio em adultos saudáveis, em idosos e em determinadas patologias ósseas como a osteoporose. Assim, espera-se que o exercício resistido tenha semelhantes efeitos nos doentes renais crónicos, potenciando a melhoria da saúde óssea e, consequentemente, da sua qualidade de vida.

De que forma é que esse trabalho se revela útil (ou poderá ser aplicado) para o público-alvo que tem estudado?

Os doentes renais crónicos apresentam diversas comorbidades associadas à doença, sendo a saúde óssea uma das problemáticas. Neste sentido, será importante garantir que são desenvolvidas estratégias que passem pela integração do exercício físico nos estilos de vida desta população, uma vez que este parece apresentar benefícios ao nível da qualidade de vida e qualidade óssea. Assim, com este projecto pretende-se contribuir com evidência científica que suporte uma melhor e mais eficaz implementação de um programa de treino direccionado para a saúde óssea destes doentes, melhorando a qualidade de vida e reduzindo as comorbidades associadas à doença.

O facto de integrar o CIDESD tem sido uma mais-valia neste percurso de investigação? Porquê?

Sim, sem dúvida. O CIDESD sendo um centro de investigação multidisciplinar permite-me interagir e colaborar com outros investigadores associados e de referência. Também tem disponível uma elevada tecnologia, disponibilizando uma panóplia de materiais inovadores, o que possibilita um melhor planeamento e desenvolvimento do meu plano de trabalhos inserido no projecto de investigação. O CIDESD também coopera e apoia a realização das actividades relacionadas com o meu projecto de doutoramento, elevando a qualidade da própria investigação.

Quais são as maiores dificuldades de um jovem cientista em Portugal?

As principais dificuldades de ser um cientista jovem estão relacionadas essencialmente com as constantes e excessivas burocracias presentes nos sistemas portugueses, que, por sua vez, dificultam a progressão e o desenvolvimento eficaz da própria investigação no nosso país. Para além disso, a desmotivação sentida face aos baixos e escassos financiamentos, à falta de reconhecimento, à instabilidade e às poucas opções apresentadas para o desenvolvimento das carreiras profissionais após a conclusão do doutoramento também potenciam a fraca progressão dos jovens cientistas.