«Actualmente, estudamos para encontrar as melhores formas de realizar as investigações»

«Actualmente, estudamos para encontrar as melhores formas de realizar as investigações»

A investigadora Juliana Exel trabalha na subunidade “Biomechanics, Kinesiology and Computer Science in Sport” do Departamento de Ciências do Desporto da Universidade de Viena, um desafio que surgiu depois do término do projecto NanoSTIMA, onde usufruiu de uma bolsa de pós-doutoramento.

De momento, quais os projectos em que está envolvida?

Estou dando continuidade às pesquisas do CIDESD que ainda tenho em andamento e estou a iniciar minha linha de pesquisa em análise de desempenho em desportos colectivos, promoção de saúde e biomecânica. Iniciei a orientação de um aluno de licenciatura e de um mestrando, que farão suas teses em temas relacionados com a análise de comportamento colectivo a partir de networks. O Forschungspraktikum, que consiste em horas de estágio que os alunos de licenciatura têm de dedicar durante o curso, em temas oferecidos pelo corpo docente do departamento.  Eu ofereci alguns temas e, actualmente, conto com duas alunas de licenciatura trabalhando em recolha e organização de dados para análise de desempenho em desportos colectivos, também no tema de comportamento colectivo. Além destes pequenos projectos, o chefe do departamento, o professor Arnold Baca, convidou-me a retomar um projecto de muito apreço do departamento, relacionado a biomecânica e a eficácia de roupas desportivas, mais especificamente top feminino desportivo. Também me convidou para participar em projectos relacionados com a criação de aplicativos para prática desportiva e financiados pelo fundo europeu em parceria com universidades do leste europeu.

De que forma é que a pandemia tem afectado a investigação que desenvolvem?

A pandemia realmente exigiu paciência, colaboração e organização de todos na Universidade. Por aqui, em meados de Março, as actividades presenciais com alunos foram interrompidas e no final do mês fomos designados ao trabalho em home office. Estas medidas foram tomadas sem muito planeamento prévio, como em outros lugares. As aulas e actividades por videochamadas foram as primeiras medidas implementadas. Já por Abril, a reitoria se organizou o suficiente para tomar medidas de suporte para todo o staff, permitindo a compra de equipamentos auxiliares para o home office (com reembolso), se assim fosse necessário, ou permitindo o acesso de todo o staff à Universidade para levar para casa qualquer equipamento necessário (cadeiras, monitores, computadores, etc.). Foram também oferecidos cursos, apoio médico psicológico e informações semanais sobre o avanço da doença no país. Portanto, tivemos todo o apoio necessário para realizarmos da melhor forma as nossas tarefas. Há duas semanas, retomamos o trabalho por turnos, mas ainda sem a previsão de actividades presenciais com os alunos. Os ginásios de prática de desporto já reabriram. Assim, acredito que a grande dificuldade para a investigação será encontrar uma dinâmica sustentável e saudável o suficiente que permita o acesso dos académicos aos clubes desportivos e associações. Existem regras sanitárias importantes que podem acabar por inviabilizar o processo de recolha de dados. Entretanto, temos clubes de futebol interessados em retomar as parcerias de pesquisa e, actualmente, estudamos para encontrar as melhores formas de realizar as investigações, já que está prevista a retoma de treinos e competições em Setembro. A longo prazo, ainda temo que as estruturas de fomento também sofram algum impacto económico vindo deste período, o que pode eventualmente nos exigir de forma desafiante a sustentação da condução dos projectos de investigação.